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Número de mortes entre março e abril cresce mesmo sem as que foram provocadas pela Covid-19

O número de mortes entre 16 de março, dia em que se registou a primeira morte causada pela Covid-19, e 14 de abril, mesmo subtraindo os óbitos por Covid-19, foi superior à média dos últimos 6 anos em igual período de tempo.

A análise foi feita pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) com base nos registos de mortalidade diária dos últimos 10 anos. 1255 é o número de mortos fora do expectável, durante 16 de março e 14 de abril de 2020. Este número corresponde a um “excesso de mortalidade”, ou seja, a uma quantidade de mortos acima da média, em igual período de referência, dos últimos 10 anos. 599 foram consequência da Covid-19, enquanto que os restantes 615 ocorreram devido a “outras patologias”.

Gráfico: ENSP

 O “excesso de mortalidade” afetou especialmente pessoas com mais de 75 anos. “Durante o mês do estudo registou-se um excesso de mortalidade de 1030 óbitos de pessoas com mais de 75 anos e só 67 óbitos acima do número esperado para pessoas com 65 a 74 anos”, conclui o estudo.

Março e abril costumam ser meses com uma mortalidade mais baixa do que os anteriores, no entanto, tal não se verificou em 2020.

As razões encontradas para justificar o aumento das mortes não provocadas pela Covid-19 são apresentadas no estudo. Uma é o facto de algumas pessoas terem morrido por Covid-19, mas, na altura da morte, não existir um diagnóstico laboratorial confirmado. “Muitas pessoas idosas morreram fora do ambiente hospitalar, em instituições ou em casa, sem terem acesso a um teste diagnóstico”, revela a ENSP. Além disso, muitas tinham contraído o vírus, mas tinham outras doenças associadas que podem ter sido apontadas como a causa da morte.

Outra das causas para esta tendência foi o facto de muitas pessoas, com doenças agudas ou crónicas graves, não terem procurado o sistema de saúde por “medo de serem contaminadas”, tendo falecido sem assistência. “Outras terão procurado os serviços de saúde, mas encontraram as estruturas, os profissionais e os equipamentos fortemente dedicados à resposta aos doentes com Covid-19, não tendo por isso recebido o nível de atenção que teriam recebido em circunstâncias normais”, avançam os investigadores.

Gráfico: ENSP

A partir da segunda semana de abril, devido às regras de distanciamento social, registou-se uma queda da mortalidade. O isolamento levou ainda à diminuição de mortes por causas externas.

Foto de destaque: Dinheiro Vivo

Francisco Martins
Estudo Jornalismo e Comunicação e foi algures entre a escrita e o desporto que lá veio a ideia de poder vir a ser jornalista. Contar histórias, conhecer pessoas e relatar o que de especial há nelas. No fundo, dar aos outros coisas para falarem.

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