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Queda na venda de livros representa pior crise no mercado

As vendas de livros caíram 63,3%, no mês de março, em Portugal. Esta quebra representa uma perda de 1,6 milhões de euros para o mercado.

“A pior crise que alguma vez existiu no mercado”, quem o diz é António Salvador, diretor-geral da Gfk, a empresa de estudos de mercado que revelou estes dados. Entre 16 e 22 de março, o valor gerado pela venda de livros caiu 65,8%, relativamente a igual período do ano passado, resultado da venda de menos 121,6 mil unidades.

Livrarias encerradas e títulos que deviam ter sido publicados e não foram devido ao novo coronavírus são algumas das justificações. O problema não tem uma solução à vista, uma vez que não há previsão para a normalização do comércio.

A Leya já tinha admitido “suspender a publicação das novidades”, “dadas as circunstâncias extraordinárias que o país atravessa”, aguardando a “normalização do mercado para retomar a publicação de novas edições”. O grupo Porto Editora revela que “quando o setor estiver outra vez a trabalhar em pleno, colocaremos as novidades no mercado”. A Bertrand admitiu que vai “estimar, com total segurança, a real dimensão da perda de volume de negócios”.

As livrarias foram os estabelecimentos comerciais mais afetados com uma diminuição de 73%, seguidas dos hipermercados (40%). A categoria mais afetada foi “Lazer” (75%).

Livrarias independentes pedem apoio

Rede de Livrarias Independentes (RELI) já apresentou uma série de propostas ao Governo para salvar o setor.

 Com as portas fechadas por tempo indeterminado, a RELI exige a extensão às livrarias independentes das medidas governamentais de apoio à tesouraria que forem aprovadas para o comércio em geral.

O risco de despejo é outra das preocupações dos livreiros. A RELI pede apoio financeiro para o pagamento das redes. Neste sentido, chamam à atenção do Governo para a especulação imobiliária que pode surgir.

Os livreiros querem seguros de salários, de modo a garantir um rendimento mínimo a todos, enquanto os efeitos da pandemia durarem. Alertam para o facto de as livrarias serem a fonte de rendimento para a sobrevivência dos seus proprietários e trabalhadores.

Foto de destaque: Contas Poupança

Francisco Martins
Estudo Jornalismo e Comunicação e foi algures entre a escrita e o desporto que lá veio a ideia de poder vir a ser jornalista. Contar histórias, conhecer pessoas e relatar o que de especial há nelas. No fundo, dar aos outros coisas para falarem.

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