Artem

Escritor Luís Sepúlveda morre aos 70 anos vítima da Covid-19

O autor chileno faleceu esta quinta-feira no Hospital Universitário Central das Astúrias, em Espanha. Deixa para trás uma vasta obra literária, onde a fábula, melhor género para conhecer o ser humano “à distância”, como dizia, se convertia num pretexto para se debruçar sobre as personagens que foi conhecendo ao longo da vida.

Romancista, contista, argumentista, cineasta, jornalista e ativista político e ambiental, Luís Sepúlveda é o autor chileno mais lido da atualidade. Estreou-se como escritor em 1969, quando tinha 20 anos, com a publicação de uma coleção de contos juvenis, mas a sua verdadeira carreira literária começou em 1989, quando lançou “O Velho Que Lia Romances de Amor”. 

A obra literária de Sepúlveda é vasta, entre outros tantos livros escreveu “História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar”, “Mundo do fim do mundo” e “Patagónia Express”, tendo quase todas estas obras já sido traduzidas e publicadas em Portugal pela Porto Editora.

Como escritor, arrecadou o Prémio Casa das Américas, os prémios Gabriela Mistral/Poesia, em 1976, Rómulo Galegos/Novela, em 1978, Tigre Juan/Novela em 1988, o de Contos “La Felguera”, em 1990, e o Prémio Primavera/Romance, em 2009. Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço.

Luís Sepúlveda vivia em Gijón, estava internado em Oviedo desde o dia 29 de fevereiro e foi o primeiro a ser diagnosticado com Covid-19 nas Astúrias. Os primeiros sintomas começaram a surgir poucos dias depois de ter estado em Portugal, no festival literário Correntes d’Escritas, na Póvoa do Varzim, ao qual quase não falhou em 21 edições.

A Fundação José Saramago partilhou no Twitter uma carta que o escritor escreveu a Luís Sepúlveda, em 2001, após uma visita do chileno à ilha de Lanzarote, onde residia o português.

José Luís Peixoto disse também ter recebido com “choque” a notícia do “desaparecimento” do escritor chileno, lembrando o homem “generoso na escrita e na vida, combativo, sonhador, resistente”.

Recebo com choque a notícia do desaparecimento deste amigo. E passam-me pela cabeça estes quase vinte anos de encontros…

Posted by José Luís Peixoto on Thursday, April 16, 2020

Marcelo Rebelo de Sousa deu conta da “particular tristeza” com que recebeu a notícia da morte de Luís Sepúlveda, pelo “escritor que era, pelas circunstâncias que bem conhecemos, e porque era um amigo de Portugal”. Em nota publicada no site da Presidência da República, lê-se o elogio ao “chileno empenhado, militante, apoiante de Salvador Allende, também jornalista, guionista, ecologista e viajante”.

Fotografia de destaque retirada de Getty Images

Francisca Lobato
Estudante de Jornalismo e Comunicação, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.